A Guarda Compartilhada é sobre Colaboração: Trabalhe com o Outro Pai/Mãe, e Não Contra
- Nanci Valentim
- 6 de dez. de 2024
- 3 min de leitura

Quando se fala em guarda compartilhada, muitas vezes o que nos vem à mente é um documento formalizado, uma decisão judicial, ou talvez um calendário bem delimitado. No entanto, a verdadeira essência da guarda compartilhada não está no papel. Está na maneira como dois seres humanos, que um dia escolheram compartilhar parte de suas vidas, agora se unem pelo bem maior: seus filhos.
A guarda compartilhada não deve ser uma batalha de egos, nem um território para medir quem ama mais ou quem é mais capaz. Ela é um exercício profundo de colaboração, uma prática de renúncia a ressentimentos e de construção de pontes quando os caminhos parecem separados.
É um convite para criar um ambiente onde o bem-estar da criança transcende diferenças e onde o amor é mais poderoso do que a mágoa. Como podemos transformar o que antes era um conflito em uma parceria genuína?
Trabalhar em conjunto com o outro pai ou mãe significa reconhecer a importância do papel do outro na vida de seu filho. Não se trata de ceder à vontade do outro ou de aceitar um acordo forçado, mas de cultivar uma atitude que prioriza o que é melhor para a criança.
Imagine o quanto é enriquecedor para uma criança perceber que, apesar das diferenças, seus pais conseguem manter uma parceria respeitosa e colaborativa. Não tirar a autoridade um do outro é parte essencial desse processo. Quando os pais se respeitam e apoiam mutuamente em suas decisões, a criança aprende a valorizar a consistência, a segurança e a união que resultam dessa coesão parental.
Como podemos mostrar ao nosso filho que ambos os pais estão do mesmo lado, mesmo que em casas separadas? Isso mostra que, mesmo em situações desafiadoras, ambos os pais estão alinhados em seu compromisso com o bem-estar do filho.
Compartilhar as responsabilidades, sem deixar tudo ao encargo de apenas um dos pais, é igualmente essencial para a dinâmica funcionar de forma saudável e equilibrada. Quando ambos assumem, de maneira justa e equilibrada, as tarefas e decisões do cotidiano, a criança sente que o cuidado e o compromisso são compartilhados de forma genuína.
Isso contribui não só para um ambiente mais saudável, mas também para a formação de vínculos mais profundos e harmoniosos. Essa divisão de responsabilidades reforça o senso de segurança e pertencimento da criança, mostrando que ambos os pais estão igualmente presentes em sua vida.
Será que estamos prontos para dividir as responsabilidades e permitir que o outro também tenha espaço na criação? Isso não apenas fortalece a criança emocionalmente, mas lhe dá um exemplo real de como resolver conflitos de forma madura e empática.
No calor dos conflitos, é natural que a comunicação seja dificultada. Palavras duras podem ser ditas, emoções afloram e feridas são reabertas. Mas, ao abraçar o espírito da colaboração, aprendemos a escolher nossas batalhas e a priorizar a relação que mais importa: a relação de nossos filhos com os dois pais.
Trabalhar junto significa abdicar do desejo de estar sempre certo e, em vez disso, buscar estar presente, disponível e aberto para o diálogo. Será que precisamos mesmo vencer todas as discussões? Ou é mais importante demonstrar à criança que, mesmo quando não concordamos, o respeito prevalece?
A guarda compartilhada bem-sucedida é sobre criar um lar em dois lugares diferentes, onde a criança se sente segura, amada e aceita em ambas as casas. E para isso acontecer, é necessário sair do campo da competição e entrar no campo da cooperação.
Quando você trabalha com o outro pai ou mãe, e não contra ele ou ela, você planta a semente da estabilidade, da confiança e da paz no coração de seu filho. Que exemplo de convivência queremos deixar para os nossos filhos?
Será que estamos dispostos a deixar o orgulho de lado, a acolher as imperfeições do outro e a criar um novo tipo de vínculo, baseado no respeito mútuo? Esse é o grande desafio da guarda compartilhada. E, ao mesmo tempo, essa é sua maior oportunidade: mostrar aos nossos filhos que o amor pode ter formas diferentes, mas sempre, sempre pode ser uma ponte para algo melhor.
Então, da próxima vez que se deparar com uma dificuldade em lidar com o outro pai ou mãe, pergunte-se: “Como posso colaborar e não competir? Como posso fazer desse momento um exemplo de amor para meu filho?”
Porque, no fim, guarda compartilhada é muito mais do que uma responsabilidade dividida — é uma promessa de que, mesmo em caminhos separados, o amor dos pais caminhará lado a lado.
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